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Como Fazer o Torneamento em Materiais Diferentes
no Rio de Janeiro - RJ

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Torneamento em Materiais Diferentes: Parâmetros, Pastilhas e Técnicas Práticas Tornear é fácil. Tornear bem materiais diferentes é arte que leva anos para dominar. Cada material tem personalidade própria: aço é dócil, inox é te...

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DESCRIÇÃO

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Torneamento em Materiais Diferentes: Parâmetros, Pastilhas e Técnicas Práticas



Tornear é fácil. Tornear bem materiais diferentes é arte que leva anos para dominar. Cada material tem personalidade própria: aço é dócil, inox é teimoso, alumínio é traidor, superliga é inimiga. Neste artigo, compartilho 25 anos de experiência tornando cada material render seu potencial máximo.



A Classificação ISO de Materiais - Base para Toda Decisão



Antes de qualquer coisa, você precisa entender a classificação ISO de materiais de usinagem. Essa norma internacional agrupa os materiais em 6 classes, cada uma com uma cor associada. Essa cor está no código da pastilha.



Grupo P (Azul): Aços carbono, aços ligados, aços para moldagem. Cavacos longos em baixas velocidades, média resistência ao calor. Material mais comum nas fábricas.



Grupo M (Amarelo): Aços inoxidáveis austeníticos, manganês, aços de trabalho a quente. Encruamento, aderência à ferramenta, calor concentrado na aresta. Desafiador.



Grupo K (Vermelho): Ferro fundido cinzento, ferro fundido nodular, materiais compósitos frágeis. Cavaco curto e quebradiço, altamente abrasivo.



Grupo N (Verde): Alumínio, ligas de alumínio, ligas de cobre, plásticos. Velocidade muito alta possível, aresta postiça (BUE) comum, cavaco muito longo.



Grupo S (Laranja): Titânio, superligas tipo Inconel e Waspaloy. Condutividade térmica baixíssima, calor concentrado, ductilidade excessiva em alta temperatura.



Grupo H (Cinza): Ferro fundido endurecido, aço endurecido (>45 HRC), ligas de cobalto. Dureza extrema, abrasividade brutal.



Torneamento de Aços (ISO P - Azul)



Aços são o pão com manteiga da indústria metalmecânica. Produzem cavacos contínuos em baixa velocidade, que se quebram naturalmente em velocidades moderadas-altas. Transferem calor de forma relativamente eficiente para a ferramenta.



Aços carbono (C1020, C1045): Baixa resistência, cavaco muito dócil. Vc pode alcançar 300-450 m/min. Aços ligados (4140, 4340): Maior resistência, Vc: 200-350 m/min. Aços para molde (H13, P20): Dureza já elevada, Vc: 150-250 m/min.









OperaçãoVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)Pastilha
Desbaste aço carbono250-3500.20-0.402.0-5.0CVD, formato S ou C
Acabamento aço carbono300-4500.05-0.150.3-1.0PVD ou Cermet, formato D
Desbaste aço ligado200-3000.15-0.302.0-4.0CVD, formato C ou S
Acabamento aço ligado250-3500.05-0.120.2-0.8PVD, formato D ou C


Torneamento de Aço Inoxidável (ISO M - Amarelo)



Inox é o material que mais exige do operador. O austenítico (304, 316) é o mais comum e o mais desafiador. O encruamento torna a camada superficial mais dura a cada passada, exigindo profundidade de corte mínima para "passar sob" a camada endurecida.



Desafios principais: Encruamento superficial (nunca usinar na mesma profundidade duas vezes), calor concentrado na aresta (condutividade térmica 50% menor que aço carbono), cavacos aderentes (material "gruda" na aresta, formando aresta postiça).








OperaçãoVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)Pastilha
Desbaste inox austenítico120-1800.15-0.251.5-3.0PVD, geometria positiva
Acabamento inox austenítico150-2000.05-0.100.3-0.8PVD aguda, formato D
Desbaste inox duplex80-1300.10-0.201.0-2.5PVD tenaz, geometria reforçada


Torneamento de Ferro Fundido (ISO K)



Ferro fundido apresenta comportamento oposto ao inox: cavacos naturalmente curtos e frageis, mas abrasividade elevada que desgasta ferramentas rapidamente. A grafite presente na microestrutura atua como lubrificante natural, mas tambem como agente abrasivo.



Cinzento vs Nodular vs Vermicular (CGI)



Ferro fundido cinzento (FC200-FC350): Grafite em forma de flocos. Cavaco fragil que se quebra naturalmente, excelente para velocidades altas. Abrasivo moderadamente.



Ferro fundido nodular (ductile): Grafite em forma de esferas, ligeiramente mais ductil que cinzento. Cavaco ainda fragil mas um pouco mais tenaz.



Vermicular (CGI): Grafite em forma de verme, propriedades mecanicas superiores. Crescente uso em blocos de motor.



Parametros Recomendados para Ferro Fundido









OperacaoVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)PastilhaObservacao
Desbaste FC250250-4000.25-0.42.0-4.0Ceramica K20Velocidade alta, abrasao controlada
Acabamento FC250300-4500.15-0.30.5-1.5CBN K10 ou ceramicaAresta afiada resiste abrasao
Desbaste nodular200-3200.2-0.351.5-3.5CVD K30Cavaco menos fragil
Acabamento nodular280-3800.1-0.250.8-1.5PVD K15Equilibrio


Classes Ideais: Ceramica, CBN, Metal Duro com Al2O3



Ceramica pura (Al2O3): Escolha classica para ferro fundido. Resiste abrasao, tolera Vc alto. CBN: Para acabamento premium, Ra menor que 0.4 micrometros. Metal duro com cobertura Al2O3: Alternativa intermediaria com tenacidade maior.



Usinagem a seco preferivel: Ferro fundido e um dos poucos materiais onde usinagem a seco e preferivel. Cavacos curtos nao precisam de evacuacao agressiva, e agua pode criar lama de ferrugem com po de ferro fundido. Se usar refrigeracao, deve ser constante (nunca intermitente). MQL e alternativa excelente.



Torneamento de Aluminio e Nao-Ferrosos (ISO N)



Aluminio permite velocidades de corte extraordinarias: 500-3000 m/min dependendo da liga. Isso e 5-10x maior que aco. Porem, a armadilha e a aresta postica (BUE): aluminio adere na ferramenta, criando camada cumulativa que deteriora acabamento e varia dimensao.



Geometria Ultra-Positiva e Aresta Polida



Para combater BUE: geometria ultra-positiva (angulo de saida +15 a +25 graus) reduz forca e calor. Aresta polida e especialmente importante em aluminio, pois aresta aspera captura material como velcro.



PCD para Alta Producao, Metal Duro Sem Cobertura



PCD (Diamante Policristalino): Melhor escolha para aluminio de alta velocidade (acima de 1000 m/min). O diamante nao adere material e resiste abrasao. Metal duro sem cobertura: Surpreendentemente melhor em aluminio que opcoes cobertas, pois coberturas metalicas aumentam aderencia.



Parametros para Aluminio









LigaVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)PastilhaObservacao
Al 7075 (duro)400-8000.2-0.41.0-3.0PCD ou MDBUE risco moderado
Al 6061 (macio)800-15000.25-0.51.0-4.0PCD preferenciaBUE risco alto
Al 5083600-12000.2-0.451.0-3.5MD sem coberturaDuctilidade moderada
Latao (Cu-Zn)300-6000.2-0.41.0-3.0MD com PVDMais facil que Al


Refrigeracao abundante: Apesar de Vc alto gerar baixo calor relativo, cavacos de aluminio sao muito longos e exigem jato forte de fluido para evacuacao.



Torneamento de Superligas (ISO S)



Superligas (Inconel, Titanio, Waspaloy) representam o maior desafio da usinagem. A baixissima condutividade termica concentra praticamente todo o calor gerado na aresta de corte, podendo atingir 900-1100 graus Celsius enquanto a peca permanece a 200-300 graus.



Inconel, Titanio, Waspaloy - Desafios Extremos



Inconel 718: Extremamente comum em aeroespacial. Vc: 30-70 m/min (30x menor que aco). Titanio Ti-6Al-4V: Ainda mais desafiador. Vc: 20-50 m/min. Condutividade termica 1/5 de Inconel. Waspaloy: Superliga ainda mais resistente ao calor. Vc: 15-40 m/min.



Parametros Recomendados para Superligas









LigaVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)PastilhaHPC (bar)
Inconel 718 desbaste40-600.15-0.250.8-1.5PVD S25120-140
Inconel 718 acabamento50-700.08-0.150.3-0.8PVD S15100-120
Ti-6Al-4V desbaste25-400.1-0.20.5-1.2PVD S30130-150
Ti-6Al-4V acabamento35-500.05-0.10.2-0.5PVD S10120-140


Vc muito baixo, aresta afiada, PVD essencial: Velocidade baixa reduz calor total. Aresta afiada minimiza friccao. Cobertura PVD (TiN, TiAlN, AlCrN) oferece barreira termica superior. HPC e obrigatorio: Sem refrigeracao de alta pressao (130-150 bar), superliga e praticamente impossivel de usinar com produtividade.



Desgaste de entalhe: Fenomeno especifico em superligas - desgaste acelerado no ombro da ferramenta. Solucoes: bico HPC direcionado ao ombro, aumento leve de ap (paradoxalmente reduz entalhe), reducao de fn, e pastilha com ombro reforcado.



Torneamento de Materiais Endurecidos (ISO H)



Materiais endurecidos (aco acima de 45 HRC) abrem nova categoria de desafios. Acima de 50 HRC, ferramentas convencionais falham rapidamente e CBN (Nitreto de Boro Cubico) torna-se obrigatorio.



CBN Como Ferramenta Principal



CBN e o unico material de ferramenta que resiste a aco endurecido consistentemente acima de 50 HRC. Custo: 3-5x mais caro que metal duro, mas dura 10x mais em aco endurecido, justificando economicamente. Para 45-50 HRC, ceramica mista (Al2O3 + TiC) oferece alternativa mais economica.



Parametros para Materiais Endurecidos









DurezaVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)PastilhaObservacao
45-50 HRC180-2500.08-0.150.3-0.8Ceramica mistaAlternativa CBN
50-55 HRC120-1800.06-0.120.2-0.5CBNCBN recomendada
55-60 HRC80-1200.05-0.10.1-0.3CBNOperacao de precisao
60-65 HRC50-800.03-0.080.05-0.2CBNLimite superior


Torneamento Duro vs Retificacao



Tornear duro: Quando tolerancia e ISO 6-7, quando ha multiplas superficies, quando geometria e complexa. Retificar: Quando tolerancia e ISO 5 ou melhor, quando Ra menor que 0.4 micrometros e especificado. Muitas operacoes combinam ambos: torneamento duro para semi-acabado, retificacao para acabado.



Tabela Resumo Geral - Todos os Grupos ISO











Grupo ISOMaterialVc (m/min)fn (mm/rot)ap (mm)ClasseRefrigeracaoDica Principal
P (Aco)Aco carbono, ligado200-4000.2-0.51.5-5.0CVD desb., PVD acab.EmulsaoControle cavacos longos
M (Inox)Inox 304, 316150-2800.1-0.351.0-3.0PVD aresta afiadaEmulsao abundanteNunca parar na peca
K (Ferro fundido)FC cinzento, nodular200-5000.2-0.51.5-5.0Ceramica, CVD, CBNSeco ou MQLUsinagem a seco preferida
N (Aluminio)Aluminio, latao500-30000.15-0.61.0-8.0PCD, MD sem coberturaEmulsao ou MQLEvitar BUE
S (Superligas)Inconel, titanio30-700.1-0.250.5-2.0PVD TiAlN, AlCrNHPC 130-150 barTemperatura e inimiga
H (Endurecido)Aco acima 45 HRC50-2500.03-0.150.05-0.8CBN, ceramica mistaSeco ou HPCCBN obrigatoria acima 50 HRC


Checklist de Selecao de Parametros



Quando receber uma peca nova, siga este checklist: 1) Identifique o material e seu grupo ISO. 2) Defina Vc de base da tabela acima. 3) Calcule RPM: RPM = (Vc x 1000) / (pi x D). 4) Defina fn inicial conservadora (menor valor da faixa). 5) Teste em baixa velocidade (80% Vc) por 10 pecas. 6) Observe: vibracao, acabamento, cavacos. 7) Ajuste gradualmente: aumente Vc em 10-15% se possivel. 8) Registre parametros finais para referencias futuras.



Tem duvidas sobre parametros para seu material especifico ou precisa selecionar pastilha ideal? Nossos especialistas analisam sua aplicacao. WhatsApp: (11) 97813-2227

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